Dor no Ombro · 6 min de leitura

Dor no ombro ao levantar o braço: tendinite, bursite ou manguito rotador?

O trecho do movimento em que a dor aparece é o que separa bursite de ruptura do tendão.

Escrito e revisado por
Dr. Thiago Caixeta
Registro
CRM-GO 1329 · RQE 8070
Publicado
Revisado em
Fisioterapeuta ajudando paciente a levantar o braço com faixa elástica, dor no ombro ao levantar o braço
Dor no Ombro

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Resposta rápida

Dor no ombro ao levantar o braço, que aparece entre 60 e 120 graus de elevação e alivia acima disso, é o arco doloroso do impacto subacromial, causado por bursite ou tendinite do supraespinhal. Se há fraqueza, pode ser ruptura do manguito rotador; se o braço não sobe nem com ajuda, capsulite adesiva ou artrose. O exame clínico e o ultrassom diferenciam.

Dor no ombro ao levantar o braço é o sintoma mais comum do consultório de ombro e tem uma assinatura: dói em um trecho do movimento, entre 60 e 120 graus de elevação, e alivia acima disso. É o arco doloroso, e ele aponta para o espaço subacromial, onde o tendão do supraespinhal e a bursa passam por baixo do acrômio.

O que está inflamado ou lesado nesse espaço, se a bursa, o tendão ou os dois, e se há ruptura, é o que define o tratamento. Este artigo explica como diferenciar, quais testes o ortopedista faz e o que fazer.

O Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro em Goiânia, explica que a dor ao levantar o braço quase nunca é “só uma inflamação”: ela tem uma causa mecânica que precisa ser corrigida para a dor não voltar.

Uma consulta comum

Uma auxiliar de limpeza de 48 anos conta que a dor no ombro ao levantar o braço começou há dois meses, quando passou a limpar vidros altos num prédio comercial. Dói ao pendurar roupa, ao pegar o pote na prateleira de cima e, há três semanas, de madrugada. Ela mostra com a mão o trajeto: lateral do ombro até o meio do braço.

Arco doloroso entre 70 e 120 graus, Neer e Hawkins positivos, força preservada no teste de Jobe. Radiografia com acrômio tipo 2. É impacto subacromial com bursite, o diagnóstico mais frequente dessa queixa. Infiltração guiada porque a dor impedia os exercícios, dez semanas de fortalecimento e um cabo extensor para o rodo. O caso é composto de situações frequentes.

Por que a dor no ombro ao levantar o braço aparece

Ao elevar o braço, a cabeça do úmero gira sob o acrômio e o tendão do supraespinhal, com a bursa sobre ele, desliza nesse túnel. Se o túnel está estreito, por acrômio curvo, esporão ou artrose acromioclavicular, ou se o tendão e a bursa estão espessados, eles são comprimidos no meio do movimento. É o impacto subacromial. Acima de 120 graus, o tendão já passou pelo ponto de aperto e a dor alivia.

Se o tendão está rompido, além da dor há fraqueza: o braço não sobe, ou sobe com a ajuda do trapézio, que eleva o ombro inteiro.

As três causas mais comuns

Bursite subacromial

Na bursite, a dor fica na lateral do ombro, desce pelo braço, tem arco doloroso e dor à noite ao deitar sobre o lado. A força está preservada. É a causa mais frequente em quem tem entre 30 e 50 anos e faz movimento repetido acima da cabeça. A bursite no ombro tem artigo próprio.

Tendinite do supraespinhal

Na tendinite, o padrão é o mesmo, muitas vezes junto com a bursite, com dor ao sustentar o braço aberto contra resistência. Na forma calcificante, a dor pode ser súbita e muito intensa. A tendinite no ombro costuma vir de sobrecarga e de fraqueza do manguito.

Ruptura do manguito rotador

Na ruptura, a dor vem com fraqueza, e às vezes com o braço que cai ao ser solto. Comum após os 50 anos, com ou sem trauma. Ruptura completa não melhora sozinha e tem melhor resultado quando reparada cedo. O artigo sobre lesão do manguito rotador descreve os graus.

Outras causas

Há causas menos frequentes, cada uma com assinatura própria. Na artrose acromioclavicular, a dor fica no topo do ombro, no fim da elevação e ao cruzar o braço. Na capsulite adesiva, o movimento trava também na forma passiva: o braço não sobe nem com ajuda. Instabilidade dói ao levantar e girar para fora, com sensação de que o ombro vai sair. Discinesia escapular produz uma escápula que não acompanha o braço, com estalos e dor no fim do movimento. E a artrose glenoumeral dá dor e crepitação em todo o arco, com rigidez progressiva.

Dor no ombro ao levantar o braço com estalo

Estalo indolor ao levantar é comum e, na maioria, é a bursa ou o tendão passando sobre o acrômio, ou a escápula deslizando sobre as costelas. Estalo com dor sugere bursite espessada, tendão do bíceps deslocando, lesão do lábio ou artrose. O ombro estalando tem artigo dedicado.

Os testes que o ortopedista faz

No consultório, o exame segue uma ordem. Arco doloroso é o primeiro teste: elevar o braço lentamente e observar se a dor aparece entre 60 e 120 graus, o que indica impacto. Os testes de Neer e Hawkins provocam o impacto do tendão sob o acrômio. O teste de Jobe, sustentar o braço aberto e para a frente contra resistência, avalia o supraespinhal; dor sugere tendinite, fraqueza sugere ruptura. No teste do braço caído, o braço elevado cai ao ser solto na ruptura completa. E a amplitude passiva fecha o exame: se o braço não sobe nem com ajuda, a suspeita é capsulite ou artrose.

A radiografia mostra o tipo de acrômio, esporões, calcificação e artrose. O ultrassom avalia bursa e tendões em movimento. A ressonância confirma ruptura e mede a retração quando o exame sugere.

Tratamento

Bursite e tendinite sem ruptura: ajuste das atividades, gelo nas crises, anti-inflamatório por curto período e fisioterapia com fortalecimento do manguito e da escápula, que é o que abre o espaço subacromial de forma duradoura. Infiltração guiada por ultrassom quando a dor impede a reabilitação. Melhora em seis a doze semanas na maioria.

Ruptura do manguito: reparo por artroscopia em pessoa ativa, com recuperação de quatro a seis meses. Impacto que não melhora após seis meses de tratamento: descompressão subacromial. Capsulite: fisioterapia, infiltração e hidrodistensão.

O que fazer em casa enquanto aguarda a consulta

Enquanto aguarda a consulta, evite levantar o braço acima da cabeça com carga e os movimentos repetidos. Gelo por 15 a 20 minutos depois das atividades que provocam dor ajuda, assim como dormir de costas ou sobre o lado oposto, com o braço apoiado. O exercício pendular, com o braço solto balançando, pode ser feito duas vezes ao dia. E, se houver fraqueza ou se a dor no ombro ao levantar o braço começou após queda, a consulta deve ser em poucos dias, não em semanas.

Perguntas frequentes

Dor no ombro ao levantar o braço: o que pode ser?

Na maioria das vezes, impacto subacromial com bursite ou tendinite do supraespinhal. Se houver fraqueza, ruptura do manguito rotador. Se o braço não sobe nem com ajuda, capsulite adesiva ou artrose. O exame clínico com os testes de impacto e de força diferencia.

Dor no ombro ao levantar o braço acima da cabeça é tendinite?

É a apresentação clássica da tendinite do supraespinhal e da bursite, com dor entre 60 e 120 graus de elevação. A diferença entre as duas é feita no exame e no ultrassom, e as duas costumam coexistir.

Dor no ombro ao levantar o braço e estalo: é grave?

Estalo sem dor é comum e benigno. Estalo com dor sugere bursa espessada, tendão do bíceps deslocando ou lesão do lábio, e merece avaliação. Não é urgência, a não ser que venha com fraqueza ou após trauma.

Não consigo levantar o braço por causa da dor no ombro: o que fazer?

Se o braço não sobe por fraqueza, principalmente após queda ou esforço, a suspeita é ruptura do manguito e a avaliação deve ser feita em poucos dias. Se não sobe por rigidez, nem com ajuda, a suspeita é capsulite adesiva. Nos dois casos, gelo e analgésico aliviam enquanto aguarda a consulta.

Quanto tempo leva para passar a dor no ombro ao levantar o braço?

Bursite e tendinite sem ruptura melhoram em seis a doze semanas com fisioterapia e ajuste das atividades. Casos com infiltração aliviam em poucos dias. Ruptura do manguito não melhora sozinha e, quando operada, leva de quatro a seis meses de recuperação.

Fontes

  1. Shoulder Impingement and Rotator Cuff Tendinitis. OrthoInfo, American Academy of Orthopaedic Surgeons
  2. Shoulder pain. MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine
Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro e cotovelo em Goiânia

Quem escreve e revisa

Dr. Thiago Caixeta

Ortopedista de ombro e cotovelo, CRM-GO 1329 e RQE 8070. Consultório no COE Ortopedia, Setor Bela Vista, em Goiânia; cirurgias no Hospital Unique.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o médico. O diagnóstico e o tratamento de cada caso dependem de avaliação individual.

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