Patologias do Ombro · 6 min de leitura

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular: o que muda quando os dois tendões estão afetados

Quando o subescapular entra no laudo, o ombro perde força para girar o braço para dentro.

Escrito e revisado por
Dr. Thiago Caixeta
Registro
CRM-GO 1329 · RQE 8070
Publicado
Revisado em
Ultrassom do ombro em consultório, exame que mostra tendinopatia do supraespinhal e do subescapular
Patologias do Ombro

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Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular no laudo significa que dois dos quatro tendões do manguito rotador estão degenerados, não rompidos. O supraespinhal sofre o impacto sob o acrômio; o subescapular, na frente, faz a rotação interna e segura o tendão do bíceps. A maioria trata sem cirurgia; a ruptura completa do subescapular é a que costuma indicar reparo.

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular no mesmo laudo significa que dois dos quatro tendões do manguito rotador estão alterados. O supraespinhal é o mais lesado do ombro e aparece em quase todos os laudos de tendinopatia; o subescapular, que fica na frente, é menos conhecido e sua lesão muda o quadro clínico e, às vezes, a decisão de operar.

Este artigo explica o que cada tendão faz, por que os dois adoecem juntos, quais sintomas apontam para um e para outro e como o tratamento é conduzido.

O Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro em Goiânia, recebe com frequência pacientes preocupados com o laudo de dois tendões, e a primeira informação é: tendinopatia não é ruptura, e a maioria trata sem cirurgia.

O laudo que assustou

Um bancário de 53 anos chegou com a ressonância na mão e a frase grifada: “tendinopatia do supraespinhal e do subescapular, sem ruptura”. Ele já tinha lido na internet que eram dois tendões do manguito e entendeu que o ombro estava “acabando”. Dor moderada ao levantar o braço e ao abotoar a camisa, nada à noite.

O exame confirmou o que o laudo dizia e mostrou o que ele não dizia: força normal nos dois tendões e nenhum sinal de ruptura. Tratamento: fortalecimento do manguito com elástico, com atenção à rotação interna, ajuste do treino de musculação e três meses de paciência. Sem infiltração, sem cirurgia, sem ressonância de controle. O caso é composto de situações frequentes.

O que cada tendão faz

Por cima da cabeça do úmero, sob o acrômio, passa o supraespinhal, que, inicia a elevação do braço. É o tendão que sofre o impacto subacromial e o que mais se desgasta com a idade. O artigo sobre tendinopatia do supraespinhal aprofunda esse tendão.

Já o subescapular é o maior e mais forte do manguito. Fica na frente do ombro, sob o coracoide, e faz a rotação interna: levar a mão às costas, abotoar, empurrar. Também segura o tendão do bíceps no lugar; quando o subescapular se lesiona, o bíceps costuma deslocar.

Por que a tendinopatia do supraespinhal e do subescapular aparece junta

Desgaste pela idade é a explicação mais comum. A partir dos 50 anos, a irrigação dos tendões diminui e o manguito degenera como um todo; o supraespinhal vai primeiro, o subescapular em seguida. O impacto também tem duas faces: acrômio curvo comprime o supraespinhal, coracoide muito próximo do úmero comprime o subescapular, e quem tem um tipo de impacto pode ter o outro.

A lesão que se propaga é o terceiro mecanismo. A ruptura do supraespinhal desestabiliza o intervalo rotador, a região entre os dois tendões, e sobrecarrega o subescapular. E o trauma pode atingir os dois: queda com o braço em rotação externa forçada lesa o subescapular, queda sobre o ombro lesa o supraespinhal.

Sintomas que diferenciam

Supraespinhal

Do lado do supraespinhal, a dor fica na lateral do ombro que desce pelo braço, com o arco doloroso entre 60 e 120 graus ao levantar, com dor à noite ao deitar sobre o lado e com fraqueza para elevar o braço e sustentá-lo aberto.

Subescapular

Do lado do subescapular, a dor fica na frente do ombro, junto ao coracoide, e a fraqueza aparece ao levar a mão às costas e ao empurrar. Abotoar, prender o sutiã e alcançar o bolso de trás ficam difíceis. A rotação externa do braço aumenta em relação ao outro lado e, se o bíceps deslocou, há um estalo na frente do ombro.

No exame clínico, o teste de Jobe avalia o supraespinhal, e os testes de lift-off, belly-press e bear-hug avaliam o subescapular. A combinação dos dois testes positivos, com o laudo, confirma o quadro.

Tendinopatia, ruptura parcial e ruptura completa

A tendinopatia do supraespinhal e do subescapular, na forma pura, é a degeneração do tendão, com espessamento e alteração de sinal na imagem, sem descontinuidade das fibras. Ruptura parcial é a interrupção de parte das fibras; ruptura completa, de toda a espessura, com retração. O laudo deve dizer em qual estágio está cada tendão, porque a conduta é diferente: tendinopatia e rupturas parciais pequenas tratam sem cirurgia; rupturas completas, principalmente do subescapular, costumam ser operadas mais cedo.

Por que a lesão do subescapular merece atenção

Mais forte do manguito, o subescapular é também o tendão mais difícil de reparar depois que retrai, porque fica na frente, perto de estruturas nobres, e o músculo atrofia rápido. Uma ruptura completa do subescapular em pessoa ativa tem indicação de reparo precoce, em semanas, não em meses. A tendinopatia sem ruptura, por outro lado, responde bem à reabilitação.

Tratamento

Tendinopatia dos dois tendões, sem ruptura

Sem ruptura, o tratamento é fisioterapia com fortalecimento do manguito, com atenção especial à rotação interna e externa e aos estabilizadores da escápula. Ajuste das atividades, principalmente as que levam o braço acima da cabeça e as que empurram com carga. Anti-inflamatório por período curto. Infiltração subacromial guiada por ultrassom quando a dor impede a reabilitação. Duração habitual: três a quatro meses. O artigo sobre fisioterapia para tendinite no ombro orienta as fases.

Com ruptura parcial

Mesmo tratamento, com acompanhamento mais próximo. Rupturas parciais que atingem mais da metade da espessura e não melhoram em três a seis meses são reparadas por artroscopia.

Com ruptura completa

Com ruptura completa, reparo por artroscopia, com âncoras. Quando os dois tendões estão rompidos, os dois são reparados no mesmo procedimento. A recuperação leva de quatro a seis meses, com tipoia nas primeiras seis semanas. Em pacientes idosos com rupturas irreparáveis e artrose, a prótese reversa é a saída.

Musculação e trabalho

Com tendinopatia dos dois tendões, os exercícios que mais sobrecarregam são supino, desenvolvimento, elevação lateral com carga alta, paralelas e remada com pegada aberta. Eles são substituídos por trabalho de manguito com elástico, remada com pegada neutra e exercícios de escápula. Trabalho braçal e acima da cabeça é ajustado durante a reabilitação, com atestado quando necessário.

Perguntas frequentes

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular é grave?

Tendinopatia é degeneração do tendão, não ruptura, e a maioria trata sem cirurgia com fisioterapia e ajuste das atividades. O que muda o cenário é a ruptura completa, principalmente do subescapular, que tem indicação de reparo mais precoce.

Qual a diferença entre supraespinhal e subescapular?

O supraespinhal fica em cima do ombro e inicia a elevação do braço; é o tendão que sofre o impacto sob o acrômio. O subescapular fica na frente, faz a rotação interna, como levar a mão às costas, e segura o tendão do bíceps no lugar.

Tendinopatia do supraespinhal e do subescapular tem cura?

Sim. Com fisioterapia dirigida, ajuste das atividades e, se necessário, infiltração, a maioria fica sem dor e com função normal em três a quatro meses. O tendão degenerado não volta a ser jovem na imagem, mas deixa de doer e recupera força.

Preciso operar tendinopatia dos dois tendões?

Não, se não houver ruptura completa. A cirurgia é indicada para ruptura completa em pessoa ativa, para ruptura parcial que passa da metade da espessura e não melhora, e para casos que não respondem a seis meses de tratamento conservador.

Posso fazer musculação com tendinopatia do supraespinhal e do subescapular?

Sim, com ajustes. Evitar supino, desenvolvimento, paralelas e elevação lateral com carga durante a fase de dor, e trabalhar manguito e escápula com elástico e cargas leves. A liberação para os exercícios pesados vem com o fim da dor e o ganho de força.

Fontes

  1. Rotator Cuff Tears. OrthoInfo, American Academy of Orthopaedic Surgeons
  2. Rotator Cuff Injuries. MedlinePlus, U.S. National Library of Medicine
Dr. Thiago Caixeta, ortopedista especialista em ombro e cotovelo em Goiânia

Quem escreve e revisa

Dr. Thiago Caixeta

Ortopedista de ombro e cotovelo, CRM-GO 1329 e RQE 8070. Consultório no COE Ortopedia, Setor Bela Vista, em Goiânia; cirurgias no Hospital Unique.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o médico. O diagnóstico e o tratamento de cada caso dependem de avaliação individual.

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